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Produtos a demitidos e até aos aposentados
17/11/2010

Com mais de 10 anos de regulamentação dos planos de saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou através da Resolução Normativa - RN 211, a inclusão de novos procedimentos cobertos pela saúde suplementar. Entre eles, os procedimentos em domicílio, ou home care. O que para muitos foi interpretado como uma conquista dos consumidores abre a possibilidade para um novo modelo de assistência à saúde, com foco no atendimento domiciliar, recuperando de direito e de fato a visão do médico de família. Diferentemente da visão preconizada pelo mercado de saúde, os atendimentos residenciais não se limitam à substituição de diárias hospitalares na busca da redução de custos.

As vantagens são imensas sob a ótica clínica. Especialmente para a população com idade avançada e normalmente vitimada de patologias crônico-degenerativas, o atendimento domiciliar mitiga uma enormidade de riscos. Do deslocamento desnecessário de indivíduos com debilidades à exposição ao ambiente hospitalar e os riscos naturais de infecção a que estão expostos, o atendimento em casa propicia uma atmosfera muito menos estressante ao idoso neste momento de fragilidade. Esta modalidade de atendimento ainda marginalizada pela visão da perpetuação dos cuidados em casa, em muitos casos se dá pela dificuldade do "desmame" do paciente - quer pela conveniência gerada aos familiares ou pela ausência de um "cuidador" capaz de assumir os cuidados básicos do paciente.

Nossa visão do home care é, antes de tudo, educacional. Nosso papel é o de preparar e capacitar os familiares à realidade da convivência e dos cuidados com um paciente debilitado. Temos alcançado excelentes indicadores quanto ao período de supervisão de cuidados e a alta precoce de nossos pacientes. Nesse sentido o cuidado domiciliar é uma ferramenta poderosa para a plena recuperação e ambientação com a rotina do lar.

Não podemos descontextualizar o indivíduo de seu hábitat. Uma vez que damos a alta ao paciente ele já está integrado às ações do seu dia-a-dia, sem necessariamente ter que se adaptar ao ambiente de casa como quando vem do quarto de um hospital. Este componente do atendimento parece simples, mas é responsável pela grande maioria das intercorrências pós-alta hospitalar: a retomada do ritmo de vida, em casa.

Com mais de 20 anos de experiência nesse segmento vivenciei todos os momentos pós-regulamentação, e posso afirmar que ainda não exploramos todo o potencial do atendimento domiciliar como modelo de atendimento à saúde. Outra oportunidade para reformulação do modelo de atendimento atual é a necessidade de se contemplar os artigos 30 e 31 da Lei dos planos de saúde, beneficiando aquele indivíduo que contribuía para quitação do plano, quando empregado, com o direito de extensão do benefício se demitido ou aposentado. Isto remete, em muitos casos, a indivíduos que requerem cuidados especiais dos planos de saúde, tanto pela idade avançada na aposentadoria como pela incapacidade para o exercício de suas funções - incapacidades que não se limitam ao ambiente corporativo.

Um indivíduo aposentado por incapacidade física, se não possuir um atendimento especializado, certamente incorrerá em despesas médicas irracionais, onerando o plano de saúde e a empresa na qual se aposentou. Todo este cenário vem provocando reflexões quanto ao modelo de atendimento domiciliar, em especial pelas empresas contratantes de plano de saúde ou ainda as auto-gestões - modelo em que as empresas gerem os recursos próprios ou terceirizados na busca de racionalizar os custos, normalmente estruturadas por fundações sem fins lucrativos.

Com os olhos neste segmento de mercado temos personalizado nossos produtos de forma a atender as exigências e protocolos destas organizações. Nosso papel como prestadores na saúde suplementar não é outro senão gerar qualidade de atendimento a um custo racional junto aos financiadores do sistema. Temos que gerar soluções diferentes todos os dias.
Atendendo a mais de mil pacientes em diferentes níveis de risco estamos sendo cada vez mais solicitados a desenhar soluções específicas para os clientes, entre empresas privadas, operadoras de saúde e alguns hospitais.

Com o melhor entendimento do potencial que este modelo de atendimento oferece, temos ampliado as operações para outros estados. Temos sido sondados, inclusive, por outros países no Mercosul onde há uma enorme carência por este nível de especialização. Fomos surpreendidos por um grande grupo internacional que nos procurou para levarmos os mesmo padrões de atendimento a países vizinhos onde este modelo tem grande abertura e aceitação.

Fonte: DCI

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