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ANS exige venda da carteira da Samcil
27/04/2011

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou ontem que a operadora Pró-Saúde - conhecida como Samcil - venda a sua carteira com 193,6 mil beneficiários até esta sexta-feira. Após essa data, a carteira da Samcil será oferecida para outras operadoras de planos de saúde. Caso nenhuma dessas empresas se interesse, a Samcil pode ir à liquidação judicial.
Cerca de metade da carteira da operadora, que atua basicamente em São Paulo, é de clientes pessoa-física, segmento que normalmente gera menos interesse dos planos de saúde, uma vez que os reajustes das mensalidades são determinados pela agência.

Com a decisão, a ANS antecipou o fim do processo de direção fiscal (intervenção), implementado em janeiro e que poderia se estender por cerca de dois anos. A operadora acumula dívidas de cerca de R$ 70 milhões, segundo informações fornecidas pelo fundador da Samcil, Luiz Roberto Silveira Pinto em entrevista concedida ao Valor em março. No começo deste mês, Silveira Pinto foi encontrado morto em seu escritório, em São Paulo.

Os bens pessoais do fundador da Samcil, de sua família e dos administradores que trabalharam na operadora a partir de 2010 estão bloqueados desde janeiro, quando foi instaurada a intervenção na Samcil. O fundador da operadora havia informado, em março, que estava tentando vender três hospitais próprios (Santa Marta, Santo André e Jardim) para levantar recursos a fim de pagar as dívidas. Segundo fontes do setor, o Hospital Panamericano - considerado um dos principais ativos do grupo de saúde por estar localizado em Alto de Pinheiros, bairro nobre de São Paulo, com poucos hospitais - também estava à venda.

Pelas normas da ANS, os bens pertencentes à operadora não ficam indisponíveis e podem ser vendidos para quitar os débitos. Porém, o patrimônio pessoal do fundador, da família e de administradores fica bloqueado durante o período de intervenção e só pode ser vendido com autorização e acompanhamento da agência reguladora.

A Samcil é dona de vários hospitais e centros médicos, sendo que a maior parte está fechada. Há dois anos, a operadora, que é voltada para o púbico de baixa renda, tinha cerca de 40 centros médicos e oito hospitais próprios. Atualmente, poucas unidades estão em atividade, o que gerou um alto número de reclamações dos seus beneficiários à ANS que, com isso, decidiu antecipar o repasse da carteira da Samcil para outra empresa. Quase 100% dos atendimentos da operadora são realizados em unidades próprias.

A ANS também determinou ontem a intervenção na operadora de planos de saúde Serma, adquirida pela Samcil em 2008 e que possui 87 mil beneficiários em São Paulo.
Em 2009, a Pró-Saúde (Samcil) teve prejuízo de R$ 40 milhões e receita de R$ 309 milhões. O patrimônio líquido caiu de R$ 40 milhões em 2008 para R$ 963 mil em dezembro de 2009.

Fonte: www.assprevisite.com.br

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